Um acervo de HQs na Biblioteca Nacional – O Tico-Tico na Biblioteca
Nem todos os amantes da HQs imaginam que a Biblioteca Nacional tenha em seu acervo uma série de almanaques anuais da primeira revista a publicar Histórias em Quadrinhos, no Brasil, do período de 1911 a 1958. Mais ainda, pela internet, através da Biblioteca Digital, temos acesso a 35 edições do almanaque; tais publicações podem ser acessadas e lidas pelos curiosos, aficionados e historiadores.
A Revista Tico-Tico, cujo título nasceu da imagem agitada do passarinho do mesmo nome, foi criada no ano de 1905 e circulou até a década de 60, com periodicidade semanal. A publicação francesa “La Semaine de Suzette”, de grande circulação na época, teve bastante influência na sua criação e formatação.
O Tico-Tico foi abraçado pelos leitores brasileiros, chegando a alcançar uma tiragem significativa para época. Algumas edições atingiram a marca de 100 mil exemplares.
Um dos seus fãs declarados foi Rui Barbosa, “Tanto que, segundo o anedotário da época, certa vez, em pleno Senado, ao ser indagado com impertinência por outro parlamentar sobre a fonte de uma de suas citações, Rui teria respondido: "Li no Tico-Tico..."
Com artigos, tiras cômicas e HQs, a revista tinha “uma postura firme em relação a seus objetivos didático-pedagógicos, mantendo-se arraigada à missão de entreter, informar e formar, de maneira sadia, a criança brasileira”.
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O Tico-Tico e suas referências às Bibliotecas
Ao ler a revista, temos a nítida percepção da preocupação em mostrar ao seu público leitor a importância das Bibliotecas, aguçando assim o desejo pelo conhecimento dos interiores das Bibliotecas, com seus acervos, com maior intimidade. Daí a razão do título deste artigo: A Biblioteca no Tico-Tico.
Na edição de 1917, vemos uma história em quadrinhos na qual o personagem busca a Biblioteca Nacional para obter informações relevantes para o estudo de um caso.
Outras edições fazem referências a outras Bibliotecas, como nas edições de 1947, 1948, 1953 e 1958. Vemos referências às Bibliotecas de Paris, Madri, Viena, Munique, de Alexandria, dos mosteiros do Tibete e até mesmo da Biblioteca de Assurbanipal.
A título de curiosidade, na edição de 1958, escolhi os seguintes textos para uma boa apreciação:
No artigo “Mateus, o Corcunda”, diz o texto: “E ainda hoje, se vocês forem, à Biblioteca Nacional, em Paris, na seção onde um arquivista cuida, com amor, preciosos manuscritos da Idade Média, observarão, numa ilustração sobre pergaminho, uma ingênua e delicada "Natividade" na qual um pequeno corcunda toca a sua bandurra[1], entre os pastores que circundam o Menino Jesus.”
No artigo “Almanaques e Calendários” faz referência à Biblioteca Nacional de Viena: “A partir do século XII aparecem já com mais freqüência os almanaques que contém notas sobre as lunações, eclipses, conjunções dos planetas e curso dos astros errantes. Na biblioteca nacional de Viena se conserva um manuscrito do século XIII, no qual se detalha de um modo sucinto o curso dos planetas para o ano 1285.”
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Na semana em que comemoramos “O Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos”, lembrar a Revista “Tico-Tico”, é enaltecer a importância que ela teve não somente na formação de leitores deste país, como também a sua linha editorial dando importância às Bibliotecas.
Referências
Biblioteca Nacional - Biblioteca digital
Acesso em 24/01/2020
Biblioteca digital - Almanaque do Tico-Tico (RJ) - 1911 a 1958
Acesso em 24/01/2020
Biblioteca digital - Almanaque do Tico-Tico (RJ) – 1958
Acesso em 24/01/2020
Portal de Revistas da USP - A postura educativa de O Tico-Tico: uma análise da primeira revista brasileira de histórias em quadrinhos. Publicado em 30/08/2008.
Acesso em 24/01/2020
Câmara dos Deputados - O Tico-Tico, a primeira revista em quadrinhos do Brasil
Acesso em 24/01/2020
La Semaine de Suzette
Blog “La Semaine de Suzette”
Acesso em 24/01/2020
Projeto Memória – Fundação Banco do Brasil
Acesso em 24/01/2020
[1] Pequena guitarra de 4 ou 6 cordas, de braço curto.
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